FEMINICÍDIO – Violência Fatal Contra a Mulher

 Em Educação, Informativo, Luto

Primeiro precisamos explicar a diferença de homicídio e feminicídio. Quando falamos em um homicídio, entende-se que ocorreu o assassinato contra a vida de uma mulher, por exemplo, essa pessoa foi morta durante um assalto. No caso do feminicídio é quando uma mulher é morta pelo simples fato de ser mulher, ou seja, uma questão de gênero. De acordo com o relatório divulgado pelas Nações Unidas, o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de assassinatos contra a mulher.

REALIDADES DO FEMINICÍDIO

Os casos de feminicídio estão relacionados com a desigualdade de gênero e as circunstâncias são diversas, como: assassinadas pelos parceiros ou ex, por familiares, estupradas, enganadas, espancadas, mutiladas, negligenciadas. Os crimes mais comuns acontecem quando a mulher decide terminar o relacionamento. Assim, inconformado com o fim dessa relação, este homem infelizmente comete um crime hediondo. O resultado ficará estampado nas páginas policiais dos jornais.  Citaremos alguns exemplos divulgados pela repórter Letícia Paiva:

M., de 42 anos, foi morta pelo marido. De acordo com a polícia, ela já vinha sendo ameaçada de morte pelo marido, preso algumas vezes e indiciado pela Lei Maria da Penha.

S., de 39 anos, foi morta a facadas em frente à loja onde era proprietária. Segundo a polícia, testemunhas viram o ex dela, de 35 anos, agredi-la. Ela havia terminado o relacionamento, que durou cerca de três anos.

G., de 18 anos, foi assassinada pelo ex-namorado, o vigilante A., de 24 anos. O homem convidou a vítima para uma reconciliação e a espancou até a morte por suspeitar que ela tivesse outra pessoa.

A denúncia pode ser feita por qualquer pessoa (é possível de forma anônima) e não apenas pela vítima. Afinal, essa ajuda poderá evitar uma tragédia, logo, em “briga de marido e mulher se mete a colher”.

Além dos casos citados por mulheres não aceitarem um relacionamento violento o feminicídio pode resultar pelo fato de algumas mulheres não aceitarem cumprir as regras ou expectativas dos seus companheiros ou da sociedade. E também por serem vistas como objetos sexuais.

É SEU DEVER DENUNCIAR

O fato é: sabemos que é dever denunciar, mas a verdade é que a mulher não tem estrutura psíquica para fazer a denúncia. Algumas vezes, quando ocorre uma agressão física ou psicológica a mulher decide não denunciar o agressor. E quando o fazem, em um primeiro momento são motivadas pela raiva ou por insistência de algum familiar. Mas, não sustentam essa denúncia. Então, qual o motivo de voltar atrás em sua decisão? Quais são os medos?

Primeiro – porque acredita que ele vai mudar, justificando que “ele estava nervoso, estava bêbado”.
Segundo – porque ela está emocionalmente envolvida com o agressor, acreditando que “ele a ama”, pois se desculpou após uma situação de violência.
Terceiro – porque a mulher evita a denúncia decorrente da dependência econômica e afetiva com os filhos. A questão dos filhos é um fator muito importante: quando a mulher se submete a esse ambiente altamente violento e que não proporciona segurança e referência para elas. Além disso, acaba se tornando uma situação transgeracional, ou seja, as consequências emocionais podem ser transmitidas aos filhos. Além de influenciar emocionalmente, isso vai se repetir na outra geração, por exemplo: da filha se submeter aos maus tratos ou o filho ter uma conduta mais violenta.

Ela acredita que não tem condições de buscar recursos financeiros. Acredita também, que não é capaz de trabalhar, a autoestima está tão fragilizada, que permanecer nessa relação é sua única solução. Negar essa realidade abusiva é colocar sua vida em risco. Por isso, quem ama não agride, não insulta, não magoa, não faz sofrer e não mata. Acredite você não vai conseguir mudar este homem, permanecer nessa relação destrutiva só vai causar mais sofrimento a você, aos seus filhos e aos seus familiares. Portanto, o final dessa história poderá ser marcado por uma violência fatal.

É difícil denunciar, mas não é impossível. A denúncia tem caráter de impor LIMITE para essa situação de violência. Mas, se você for negligente e não buscar ajuda, ele vai achar que poderá fazer de novo e de novo.

PROTEÇÃO E PREVENÇÃO

Quando falamos em proteção e prevenção, significa que é possível impedir essa “morte anunciada”. Mas o fim da sua vida só poderá ser evitado se houver a denúncia dos maus tratos e violência que você vivência.

Enquanto permanecer nesse sofrimento calada ou com vergonha, não há possibilidade de proteção. Buscar apoio neste momento é o maior ato de amor, pois essa mulher precisa compreender o que a faz ficar nesse ciclo vicioso. O atendimento psicológico ajudará essa mulher a entender o que a faz se manter nessa relação destrutiva e identificar suas potencialidades. Identificando isso, impede a repetição de novos relacionamentos violentos.

Existem órgãos especializados para amparar vítimas desse tipo de violência. Bem como, disponibilizar recursos de apoio jurídico e psicológico.
– Os homens não tem poder sobre as mulheres, não tem direito de agredi-las –

Ajuda:
– Central de atendimento à Mulher: 180
– Centro De Referência Para Mulheres Em Situação De Violência Mulher Brasileira De Curitiba

Referência – Dossiê Feminicídio
Colaboração – Psicóloga Luci Maria Feijó | CRP 07/05018


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